o dominó e a roda de bicicleta
Antes de começar a parte do curso relacionada ao diagnóstico diferencial em Medicina Tradicional Chinesa, Shen frisou muito para nós o cuidado que deveríamos ter para nunca associar direta e taxativamente um sintoma a uma característica psicológica:
- Cuidado com a tentação de raciocinar como se a sintomatologia acontecesse igual um dominó, onde uma peça cai e derruba a outra que derruba a outra que derruba a outra, e etc - tipo pensar que uma pessoa que tem prisão de ventre vai ser sempre enfezada - cheia de fezes - e tão apegada às coisas que chega ao ponto de não conseguir se separar nem do próprio cocô, e assim por diante. A sintomatologia não funciona assim, dentro do raciocínio da Medicina Tradicional Chinesa; no mapa que estamos usando para compreender a saúde e a doença, temos o desequilíbrio no canal energético, que é como o centro de uma roda de bicicleta, e a partir daí poderemos observar os diferentes raios dessa roda de bicicleta que, em pacientes distintos, podem ou não estar afetados. Não é porque o sintoma aparece em um que todos os pacientes com desequilíbrio naquele canal energético vão apresentar exatamente o mesmo quadro físico, mental e emocional - se fosse assim, a clínica seria uma coisa mecânica, e não algo dinâmico como acontece na prática. E é importante lembrar disso antes de sair por aí acusando sem ter feito um diagnóstico mais acurado porque, senão, além do problema que o paciente já tem, você vai fazer ele sair de seu consultório com outro: prisão de ventre, e culpa por ser tão apegado que não é capaz de abrir mão nem das próprias fezes. Assim, vocês poderão aplicar muito menos agulhas, mirando apenas na raiz do problema, ou seja, o desequilíbrio do canal energético; e, se for o caso, atuando também nas ramas afetadas daquela árvore específica - sem desperdiçar os esforços seus e do paciente agindo sobre raios da roda de bicicleta que naquele caso em particular não estão demandando por um trabalho de "lanternagem".

0 Comments:
Post a Comment
<< Home