bem viver

Este é o blog do Centro Terapêutico Bem Viver, de Tiradentes, São João Del Rei e Belo Horizonte, MG, onde os terapeutas Idalmo Duarte Júnior e Marisol de Oliveira Jotta conversarão com você a respeito de Medicina Tradicional Chinesa, Psicologia, e sobre o que poderíamos chamar de "caminho da consciência" - estarmos aqui agora para ganharmos nosso presente. As fotos são de nossa sede em Tiradentes. Um grande abraço!

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Location: Tiradentes, MG, Brazil

Acupunturista, massoterapeuta, e alguém que busca fazer da vida "esta é uma empresa optante pelo simples"

Monday, July 23, 2007

síndrome do pânico

O corpo humano simplesmente não foi preparado para aguentar a carga de carboidratos refinados (leia-se açúcar e farinhas refinadas) presentes na dieta moderna. Assim, um cardápio rico nesses ingredientes gera muito stress para nosso heróico pâncreas, que tenta desesperadamente metabolizar todos os veneninhos e delícias que consumimos diariamente. Até que chega uma hora em que o coitado começa a surtar; e aí, para assimilar um bombom que a gente comeu, produz insulina suficiente para lidar com uma loja de doces inteira.
O resultado disso é uma baixa brusca na taxa de glicose do nosso sangue, conhecida como hipoglicemia. Só que, para o mal dos pecados, praticamente todos os nossos processos metabólicos necessitam de combustível - glicose - para acontecer. E o que o corpo faz quando falta combustível no sistema? Ele liga todos os alarmes: "Estamos em perigo!" Manda aquele jorro intenso de adrenalina pra corrente sanguínea, exatamente como se estivéssemos em uma situação limite em que seria necessário bater, ou correr.
Só que o pobre infeliz do dono daquele pâncreas arrebentado (pobre infeliz nada, ele está cheio de culpa no cartório) olha ao redor e não consegue ver de onde virá o ataque iminente que colocou todo o seu sistema naquela prontidão toda. Não é de se admirar: o problema é interno. Só que ele não sabe.
Um outro aspecto vem agravar ainda mais os apuros de nosso herói, de acordo com a Medicina Tradicional Chinesa: o desequilíbrio do pâncreas afeta o aspecto mental que a ele relacionado, o pensamento. Que no caso começa a funcionar como o facho de uma lanterna apontada para um camundongo que não conseguimos enxergar, mas cuja sombra vemos projetada na parede atrás dele: é só um ratinho, uma coisinha asquerosa da qual é melhor se livrar rápido antes que possa vir a se tornar um problemão; mas, turbinado pelo pensamento, nosso pequeno adversário oculto focalizado pelo facho da lanterna-pensamento-desequilibrado parece ser um verdadeiro e monstruoso Godzilla.
Com a mania que a medicina ocidental tem de chamar coisas diferentes pelo mesmo nome, e coisas iguais por nomes diferentes, até acredito que possam existir casos em que a causa possa ser diferente desta; mas até hoje todos os casos de síndrome do pânico que atendi eram crises de hipoglicemia, causadas por excesso no consumo de açúcar, horas demais sem comer, excesso de pensamento ou as três coisas juntas. E nenhum deixou de ser resolvido com uma redução radical no consumo de carboidratos refinados, alimentação de três em três horas, meditação e acupuntura para tonificar o pâncreas. Só fico triste que tão poucos profissionais da saúde saibam disso: já atendi uma paciente de síndrome do pânico cujo psicólogo recomendou que consumisse muito chocolate, chegando mesmo a substituir refeições pelo acepipe, para colher os benefícios calmantes das endorfinas produzidas no cérebro pelo doce!
Obviamente nem todo mundo que come muito açúcar vai desenvolver Síndrome do Pânico; isso depende do pâncreas do sujeito ser mais ou menos sensível. Mas o fato é que o danado do docinho nosso de cada dia faz mal pra todo mundo, em maior ou menor grau. Por garantia, o melhor é reduzir o consumo ao mínimo possível, jamais comer açúcar de barriga vazia, e sempre evitar consumí-lo quando estivermos muito preocupados, estressados, ou sem vontade de dar uma turbinada nessa morada do capeta chamada pensamento.

Sunday, July 08, 2007

o dominó e a roda de bicicleta

Antes de começar a parte do curso relacionada ao diagnóstico diferencial em Medicina Tradicional Chinesa, Shen frisou muito para nós o cuidado que deveríamos ter para nunca associar direta e taxativamente um sintoma a uma característica psicológica:
- Cuidado com a tentação de raciocinar como se a sintomatologia acontecesse igual um dominó, onde uma peça cai e derruba a outra que derruba a outra que derruba a outra, e etc - tipo pensar que uma pessoa que tem prisão de ventre vai ser sempre enfezada - cheia de fezes - e tão apegada às coisas que chega ao ponto de não conseguir se separar nem do próprio cocô, e assim por diante. A sintomatologia não funciona assim, dentro do raciocínio da Medicina Tradicional Chinesa; no mapa que estamos usando para compreender a saúde e a doença, temos o desequilíbrio no canal energético, que é como o centro de uma roda de bicicleta, e a partir daí poderemos observar os diferentes raios dessa roda de bicicleta que, em pacientes distintos, podem ou não estar afetados. Não é porque o sintoma aparece em um que todos os pacientes com desequilíbrio naquele canal energético vão apresentar exatamente o mesmo quadro físico, mental e emocional - se fosse assim, a clínica seria uma coisa mecânica, e não algo dinâmico como acontece na prática. E é importante lembrar disso antes de sair por aí acusando sem ter feito um diagnóstico mais acurado porque, senão, além do problema que o paciente já tem, você vai fazer ele sair de seu consultório com outro: prisão de ventre, e culpa por ser tão apegado que não é capaz de abrir mão nem das próprias fezes. Assim, vocês poderão aplicar muito menos agulhas, mirando apenas na raiz do problema, ou seja, o desequilíbrio do canal energético; e, se for o caso, atuando também nas ramas afetadas daquela árvore específica - sem desperdiçar os esforços seus e do paciente agindo sobre raios da roda de bicicleta que naquele caso em particular não estão demandando por um trabalho de "lanternagem".

Friday, July 06, 2007

Shen


Reencontrei uma colega do curso de Medicina Tradicional Chinesa, e ela me disse que o que estou fazendo nesse blog não é contar, e sim reescrever a história de nossos anos de aprendizado. Segundo ela, o que aconteceu não se passou exatamente da maneira como venho descrevendo. Estou resumindo muito algumas coisas, alongando outras, colando juntas partes distantes para formar um texto mais saboroso. "Está divertido, Idalmo, mas você está enfiando falas do Osho, do Neale Donald Walsch, do Ow, do Fritz Pearls e sei lá de quem mais no meio da narrativa, sem citar a fonte, e ainda por cima fazendo uso delas como se fossem suas - ou o que é pior, colocando-as na boca do Melão, que inclusive já morreu e nem pode estar aqui pra se defender de ter seu nome citado em vão.

E não é que minha colega tem razão?

Não me incomodei quando disse que eu estava repetindo falas dos mestres. Conhecimento é isso, a gente pega um pelinho daqui, um pelinho dali... e faz uma peruca bacana e fashion nova que achamos que fica legal na nossa cabeça. De novo mesmo, normalmente não tem nada. A novidade é só o rearranjo das informações. E sabedoria é colocar esse conhecimento em movimento.

Para mim, são coisas eternas de velhas as que cito - velhas no sentido que já estão comigo a tanto tempo que normalmente nem me lembro mais afinal de contas de onde foi que vieram. Normalmente é por isso que não cito a fonte; por estar, talvez, repetindo as informações - ou, mais preferencialmente, vivendo de acordo com elas, a tanto tempo, que já ando acreditando que a peruca é o meu cabelo.

Às vezes não cito a fonte também porque uma coisa que detesto é ler um texto que a cada momento é interrompido por um "segundo fulano...", "de acordo com beltrano...".

E já que minha intenção com esse blog é trilhar o caminho da consciência, não posso deixar de incluir a ridícula possibilidade de eu estar repetindo sem utilizar a fonte para que o leitor pense "uau, esse Idalmo é realmente muito inteligente mesmo!..." Ah, o ego!

A parte da crítica de minha colega que mais me incomodou, entretanto, foi quando ela me acusou de colocar na boca de Melão falas que na verdade ele nunca disse, ou falou de outra maneira; embora eu tenha tido um grande cuidado no sentido de só colocar como sendo ditas por ele falas que ele realmente proferiu - ou que falou, mas de outra maneira, ou que ele não chegou realmente a falar, mas com as quais tenho total convicção que ele concordaria.

A fala dela me atentou para a responsabilidade de fazer ficção - por mais bem intencionada que ela seja - com personagens reais. Por conta disso, não usarei mais o nome de Melão para contar de minhas vivências - reais ou imaginárias - como aprendiz de um grande mestre de acupuntura. Fiquei buscando um nome para dar para esse personagem "mestre" toda essa semana. No fim, cheguei à conclusão de que, por uma questão até de coerência com o assunto abordado, vou chamá-lo de Shen, que na Medicina Tradicional Chinesa designa o Espírito Superior, o sábio imperador que coordena nossos atos, e que tem por morada o nosso coração.