um terapeuta tão bom quanto você
Era o dia da última aula do curso dedicada ao aprendizado da massagem terapêutica. A técnica estava toda fresca em minha mente, mas ainda assim eu me sentia inseguro quanto à minha competência enquanto massagista. Perguntei para Melão:
- Será que algum dia conseguirei ser um terapeuta tão bom quanto você?
Ele riu:
- Espero que algum dia você consiga ser um terapeuta tão bom quanto você!
Ele se voltou para a turma:
- Tudo o que eu podia ensinar para vocês em matéria de massagem terapêutica está passado. Existem técnicas, percepções e intuições que são mais sutis, e só com o tempo e a prática vocês irão compreender. Idalmo está manifestando a insegurança dele, sentindo-se desconfortável, achando que ela é algo ruim. Mas a insegurança pode ser algo de muito produtivo; basta que ele a use como estímulo para jamais parar de estudar, para estar sempre buscando se aprimorar, para jamais permitir-se estagnar na ilusão de que já aprendeu tudo o que havia para ser aprendido; e para atuar em cada massagem como se aquela fosse a primeira vez que se está adentrando em um novo e desconhecido território, cheio de descobertas a serem feitas - o que, diga-se de passagem, nada mais é do que a mais pura expressão da verdade, mesmo que já tenham feito centenas de massagens nessa mesma pessoa. Usem suas inseguranças para buscar estar sempre 100% ali, presentes. O dia em que vocês acharem que sabem tudo, podem ter certeza que em breve estará para chegar em seus consultórios o paciente-enigma-insolúvel que irá jogar por terra a auto-importância de vocês.
Dentro de três anos eu quero testar suas massagens; se estiverem fazendo algo diferente do que eu lhes ensinei, vou puxar a orelha de vocês. E dentro de dez anos quero testá-las de novo; se ainda estiverem fazendo exatamente o que ensinei, vou puxar as duas orelhas. E farei isso porque, primeiro, vocês devem compreender as técnicas com os seus corações, estarem aptos a executá-as sem nem mesmo terem de pensar para fazê-lo. Esse é o ponto em que elas se tornam estensões de seus próprios seres, serão naturais para vocês como caminhar, falar, pensar, ler. E esse é o momento a partir do qual vocês devem permitir que a intuição comece a rolar. Por si sós começarão a descobrir coisas novas, novos usos, novas técnicas para harmonizar a energia de seus pacientes. Será o momento de encontrar o sotaque pessoal da massagem de cada um de vocês. Todo aquele que trabalha com cura e não está inserido em uma escola tão rígida que não permita a expressão da individualidade de cada um chega a esse momento. Nessa hora, por uma questão de marketing ou de arrogância, muitos gostam de dar um nome novo para a massagem que praticam; pessoalmente acho isso uma bobagem - é apenas a sua maneira pessoal de contar a mesma história. Chegar a esse ponto é natural e desejável, mas primeiro é necessário ser um tanto inflexível enquanto a técnica vai entranhando; para que seu estilo pessoal não se torne apenas uma viagem na maionese sem fundamento.
Pois bem. Os japoneses dizem que uma pessoa começa a envelhecer quando não quer mais aprender. O curso acabou, mas o aprendizado de vocês, felizmente, não. Mãos à obra!
- Será que algum dia conseguirei ser um terapeuta tão bom quanto você?
Ele riu:
- Espero que algum dia você consiga ser um terapeuta tão bom quanto você!
Ele se voltou para a turma:
- Tudo o que eu podia ensinar para vocês em matéria de massagem terapêutica está passado. Existem técnicas, percepções e intuições que são mais sutis, e só com o tempo e a prática vocês irão compreender. Idalmo está manifestando a insegurança dele, sentindo-se desconfortável, achando que ela é algo ruim. Mas a insegurança pode ser algo de muito produtivo; basta que ele a use como estímulo para jamais parar de estudar, para estar sempre buscando se aprimorar, para jamais permitir-se estagnar na ilusão de que já aprendeu tudo o que havia para ser aprendido; e para atuar em cada massagem como se aquela fosse a primeira vez que se está adentrando em um novo e desconhecido território, cheio de descobertas a serem feitas - o que, diga-se de passagem, nada mais é do que a mais pura expressão da verdade, mesmo que já tenham feito centenas de massagens nessa mesma pessoa. Usem suas inseguranças para buscar estar sempre 100% ali, presentes. O dia em que vocês acharem que sabem tudo, podem ter certeza que em breve estará para chegar em seus consultórios o paciente-enigma-insolúvel que irá jogar por terra a auto-importância de vocês.
Dentro de três anos eu quero testar suas massagens; se estiverem fazendo algo diferente do que eu lhes ensinei, vou puxar a orelha de vocês. E dentro de dez anos quero testá-las de novo; se ainda estiverem fazendo exatamente o que ensinei, vou puxar as duas orelhas. E farei isso porque, primeiro, vocês devem compreender as técnicas com os seus corações, estarem aptos a executá-as sem nem mesmo terem de pensar para fazê-lo. Esse é o ponto em que elas se tornam estensões de seus próprios seres, serão naturais para vocês como caminhar, falar, pensar, ler. E esse é o momento a partir do qual vocês devem permitir que a intuição comece a rolar. Por si sós começarão a descobrir coisas novas, novos usos, novas técnicas para harmonizar a energia de seus pacientes. Será o momento de encontrar o sotaque pessoal da massagem de cada um de vocês. Todo aquele que trabalha com cura e não está inserido em uma escola tão rígida que não permita a expressão da individualidade de cada um chega a esse momento. Nessa hora, por uma questão de marketing ou de arrogância, muitos gostam de dar um nome novo para a massagem que praticam; pessoalmente acho isso uma bobagem - é apenas a sua maneira pessoal de contar a mesma história. Chegar a esse ponto é natural e desejável, mas primeiro é necessário ser um tanto inflexível enquanto a técnica vai entranhando; para que seu estilo pessoal não se torne apenas uma viagem na maionese sem fundamento.
Pois bem. Os japoneses dizem que uma pessoa começa a envelhecer quando não quer mais aprender. O curso acabou, mas o aprendizado de vocês, felizmente, não. Mãos à obra!

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