bem viver

Este é o blog do Centro Terapêutico Bem Viver, de Tiradentes, São João Del Rei e Belo Horizonte, MG, onde os terapeutas Idalmo Duarte Júnior e Marisol de Oliveira Jotta conversarão com você a respeito de Medicina Tradicional Chinesa, Psicologia, e sobre o que poderíamos chamar de "caminho da consciência" - estarmos aqui agora para ganharmos nosso presente. As fotos são de nossa sede em Tiradentes. Um grande abraço!

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Location: Tiradentes, MG, Brazil

Acupunturista, massoterapeuta, e alguém que busca fazer da vida "esta é uma empresa optante pelo simples"

Thursday, June 21, 2007

faca de ponta


Após o término de meu primeiro curso de massagem, eu estava eufórico com tudo que aprendera, e me sentia montado na carne seca. "Agora a harmonia e o equilíbrio estão em minhas mãos! Com elas serei capaz de consertar o mundo!"

Na época eu praticava capoeira. Meu grupo ia fazer uma visita a uma outra academia. Fomos bem recebidos, e logo depois das rasgações de seda de praxe, iniciamos uma roda de confraternização. Tudo começou vagarosamente, no ritmo cadenciado da capoeira de angola, os jogadores interagindo no centro da roda em movimentos lentos e estudados. Logo a velocidade foi subindo. Ao final, num paroxismo frenético, mal se viam os pés e braços dos jogadores rodando no jogo. E nessa hora estava todo mundo louco pra jogar mais um pouquinho, igual num final de festa em que todos se apressam para ver se conseguem pegar mais alguns salgadinhos. Entrei no jogo, dei duas gingadas e um fominha já comprou meu lugar: com toda delicadeza, colocou em meu caminho o que se chama na capoeira de "faca de ponta", o que em bom português significa que o cara entrou na minha frente se protegendo com o cotovelo. Eu estava no meio de um rabo de arraia, movimento em que se lança o braço em círculo a fim de ganhar impulso para executar um giro com a perna. E, no meio desse carnaval todo, as costas de minha mão e o cotovelo do sujeito eventualmente acabaram por se encontrar.

Lembro do impacto. O choque repercutiu por toda a trajetória do nervo no meu braço esquerdo. Saí da roda ainda girando pra conseguir brecar a tremenda velocidade em que estava. A turma batia palmas para Cacá, nosso professor, mestre visitante: a roda tinha terminado. Com minha mão estupidamente servindo de grand-finale - embora na rapidez com que a coisa toda acontecera ninguém (além de, dolorosamente, eu mesmo) tivesse percebido o acidente. Minha namorada na época me chamou pra participar:

- Bate palma pro seu mestre também, ô!

Percebi sua surpresa ao ver minha cara branca de susto e dor:

- Espera aí, que eu acho que quebrei a mão.

Raio-x, gesso, viagem pra Pernambuco na sequência, ainda engessado, entrando no mar com o braço pra cima parecendo a Estátua da Liberdade... Puxa vida, bem que podia ter sido um pouco mais light minha lição de que a harmonia e o equilíbrio deveriam, idealmente, não ser dependentes nem mesmo de massagens milagrosas feitas por terapeutas altamente qualificados!

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