bem viver

Este é o blog do Centro Terapêutico Bem Viver, de Tiradentes, São João Del Rei e Belo Horizonte, MG, onde os terapeutas Idalmo Duarte Júnior e Marisol de Oliveira Jotta conversarão com você a respeito de Medicina Tradicional Chinesa, Psicologia, e sobre o que poderíamos chamar de "caminho da consciência" - estarmos aqui agora para ganharmos nosso presente. As fotos são de nossa sede em Tiradentes. Um grande abraço!

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Location: Tiradentes, MG, Brazil

Acupunturista, massoterapeuta, e alguém que busca fazer da vida "esta é uma empresa optante pelo simples"

Tuesday, May 22, 2007

quais eventos você escolhe que o mundo experiencie através de você?


Palavras do Osho:
Buda nunca diria: "Me tornei iluminado". Ele diria apenas: "O mundo experienciou isso através de mim - este evento da iluminação, essa luz suprema revelou-se ao mundo através de mim. Sou somente uma desculpa, um pretexto. Sou apenas uma encruzilhada onde todas as estradas do mundo se encontram".
Vocês já pensaram alguma vez que embora uma encruzilhada pareça significante, não é nada em si mesma? Se as quatro estradas que se encontram fossem removidas, o significado da encruzilhada também iria desaparecer. Somos cada um uma encruzilhada onde as forças do mundo se tocam e se encontram num ponto. Nesse ponto, um indivíduo é formado, nasce uma pessoa.

Monday, May 21, 2007

jardinazen


Plantar um jardim é um grande aprendizado. A natureza finge que aceita agradecida nossas "contribuições" para seu desenvolvimento. Faz um quase convincente teatrinho para que não fiquemos tristes e frustrados, e aparentemente abaixa a cabeça, humilde, diante de nossos esforços em domá-la. Mas basta que a gente vire a cara um instante que ela retoma a direção que mais lhe é agradável, durante o tempo em que estivermos relaxando, empanturrados da sensação de dever cumprido.
Pode-se gastar uma energia danada na manutenção de um jardim. Se a intenção for fazer dele um troféu de guerra, o jardineiro pode encontrar diante de si uma batalha eterna – enquanto dure sua vida. A natureza tem tempo... Um tempo muito mais longo que o nosso para esperar que nos esgotemos brincando de maestro inflexível.
Gosto de jardins onde mal se nota a intervenção humana. Neles encontro a definição de sagrado. Acredito que o primeiro mandamento do bom jardineiro deve ser: “Siga a Lei do Melhor Esforço”; lei essa cujo texto reza: “Observe a Natureza, siga seu fluxo, seja um com o movimento dela. Pare de brigar e veja que o rio e você são uma coisa só”.

Monday, May 14, 2007

o pêndulo das expectativas


A profundidade que alcançam as raízes de uma árvore é a mesma que suas ramas mais altas estão da superfície da terra.
No movimento do pêndulo, quanto mais para a esquerda ele vai, mais para a direita irá.
Para um extremo acontecer, seu contrário também terá de existir.
Quem sofre de complexo de inferioridade tem escondida uma grande auto-importância: "Minha fala é tão importante que não consigo nem falar, pois sou o rei da cocada preta e não posso errar".
E quem sente culpa - "Eu deveria fazer mais pelos outros" - conhece muito bem, na mesma proporção, o ressentimento - "Deveriam ter feito mais por mim".
Tudo isso são efeitos colaterais de um pêndulo de expectativas com a corda excessivamente longa.
Corda essa que pode ser reduzida de uma maneira bastante eficaz através da lembrança de que não estamos neste planeta pra corresponder às expectativas dos outros, e tampouco os outros estão aqui para corresponder às nossas.

Monday, May 07, 2007

a existência enquanto montanha russa


Há pessoas cujo único interesse na vida é deixar louco a si mesmo, ou a seu cônjuge, ou a seu ambiente, para então irem pescar em águas turbulentas.

Tuesday, May 01, 2007

muletas e amuletos


Paulinho Muleta era professor na Universidade Federal de Minas Gerais, na época em que estudei lá. Tinha esse apelido porque, na infância, adoecera de pólio e suas pernas eram atrofiadas. De muletas ou cadeira de rodas, entretanto, Paulinho fazia e acontecia. Dirigia seu próprio carro adaptado, era um excelente professor, casou-se... tinha vários sinais sociais de ser uma pessoa de sucesso. Tanto que, seguidamente, era convidado por associações de pais e amigos de deficientes para palestras do tipo "o excepcional que se deu bem na vida".

Paulinho sempre começava suas palestras do mesmo jeito. Subia no palanque, pegava o microfone, esperava a platéia parar de bater palmas e ficar em silêncio e disparava:

- Boa noite. Não existe nada pior para um deficiente que uma mãe superprotetora.

Sua teoria, pela qual já fora quase apedrejado em algumas dessas palestras, ia na linha do "quem recebe esmola não trabalha". Quanto mais um deficiente aceitar o rótulo de inválido, incapaz, coitadinho, de "eu não dou conta e têm de fazer tudo por mim", pior será para ele mesmo; mais longe estará de transpor de verdade as próprias dificuldades e ser pleno.

Me lembro das falas de Paulinho e fico me perguntando: afinal de contas, qual de nós não tem lá suas "deficienciazinhas"? E quantos não preferem usá-las como justificativa para não se trabalharem? Quantas vezes clamamos por uma mãozinha e na verdade estamos é nos auto-sabotando e querendo mesmo é colinho? Quantas vezes esquecemos que mais bonito é sempre trabalhar junto, e que pena dos outros - e de nós mesmos - não serve para voar?