bem viver

Este é o blog do Centro Terapêutico Bem Viver, de Tiradentes, São João Del Rei e Belo Horizonte, MG, onde os terapeutas Idalmo Duarte Júnior e Marisol de Oliveira Jotta conversarão com você a respeito de Medicina Tradicional Chinesa, Psicologia, e sobre o que poderíamos chamar de "caminho da consciência" - estarmos aqui agora para ganharmos nosso presente. As fotos são de nossa sede em Tiradentes. Um grande abraço!

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Location: Tiradentes, MG, Brazil

Acupunturista, massoterapeuta, e alguém que busca fazer da vida "esta é uma empresa optante pelo simples"

Friday, December 15, 2006

o medo é apenas mais um dos convidados da festa


O medo é apenas mais um dos convidados da festa. Bom anfitrião que você é, não faz sentido que fique pajeando apenas ele. Não quer dizer que você deva ser mal educado e ignorá-lo solenemente. Ele está aí mesmo, né, fazer o quê? Livrar-se dele com o máximo de leveza, graça e rapidez. Tudo bem, o cara é um mala sem alça, mas você é educado, ora. E quem é verdadeiramente educado trata bem quem é legal e quem é chato. Dá um pouquinho de atenção, “ô, medo, você veio! Como vai a família?” Escuta um pouquinho as respostas dele – eu sei, o cara é insuportável, fica contando milhares de vezes a mesma história (ao menos, você pode se esforçar para maravilhar-se um pouco com a capacidade que ele tem de exagerar e caricaturizar as histórias mais e mais a cada nova vez que as conta); mas aí você enverga seu sorriso polido profissional, faz sua melhor cara de paisagem, e na primeira pausa que ele dá pra recuperar o fôlego, pede licença pra ir cuidar dos outros convidados. “Fique a vontade, medo. Recomendações à família!” Aí, pronto, você já está livre e pode ir interagir com convidados mais interessantes, tipo o amor, a coragem, a alegria, a meditação, etc. Ele está muito mal acostumado, afinal faz tempo que você o vem mimando. Capaz que vai ficar todo magoadinho, sentindo-se rejeitado, coitado. A gente torce pra que ele não apareça mais nas próximas festas, mas a tendência é que ele volte, sim, e acabe dando um jeito de te pegar no canto, todo melodramático: “Você está me evitando! Que foi que eu te fiz pra você agir assim comigo, hein? Que foi que eu fiz?!” Controle sua vontade de rir e continue sendo educado: “ô, medo, não é nada disso! Só que não é justo, com tanta gente aqui na festa, eu ficar dando atenção só pra você, não acha? Fique á vontade, depois se der tempo eu passo aqui.” Só que você não passa. De vez em quando, acena de longe, polegares pra cima: “E aí, medo, tudo certo?” Ele vai ficando murcho, sem graça, macambúzio, encostado no canto. Ô dó que dá, né gente? Mas fique firme. Um dia você começa a perceber que até que o danado está fazendo um esforço pra se tornar alguém mais interessante, tem ficado com cada vez menos cara de medo e mais parecido com prudência, com atenção sem tensão. Aí talvez até dê pra voltar a conviver de novo com ele. Mas seja educado: não esqueça dos outros convidados da festa!

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