bem viver

Este é o blog do Centro Terapêutico Bem Viver, de Tiradentes, São João Del Rei e Belo Horizonte, MG, onde os terapeutas Idalmo Duarte Júnior e Marisol de Oliveira Jotta conversarão com você a respeito de Medicina Tradicional Chinesa, Psicologia, e sobre o que poderíamos chamar de "caminho da consciência" - estarmos aqui agora para ganharmos nosso presente. As fotos são de nossa sede em Tiradentes. Um grande abraço!

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Location: Tiradentes, MG, Brazil

Acupunturista, massoterapeuta, e alguém que busca fazer da vida "esta é uma empresa optante pelo simples"

Sunday, November 26, 2006

jogue sua esperança no lixo


Quando perguntados sobre qual seria a grande característica do povo brasileiro, boa parte dos políticos responde, com olhos brilhantes e um faiscante sorriso: “a esperança”.
Muitos governantes falam isso por uma mera questão de populismo, ou de ignorância. Já outros, mais versados nas tramas da linguagem, sabem que essa tão propalada esperança é no fundo a grande força motriz que permite que eles se mantenham no poder, dentre outras mazelas de que sofre nosso país.

Sim, pois a palavra “esperança” vem de esperar. Ou seja: ficar parado, inerte, esperando que alguém, político, papai ou Deus, tome uma providência – sendo que na própria Bíblia já estava escrito: “faça sua parte que Eu te ajudarei”.
É por ficarem ancorados na esperança que a maioria dos nossos barcos deixa de navegar o mar das possibilidades. É devido a ela que morrem na praia a maioria de nossos projetos e desejos. Ter esperança é querer ganhar na loteria e não fazer nem mesmo o esforço de comprar o bilhete. É botar a responsabilidade pela própria vida na mão dos outros, ao invés de trabalhar junto para as mudanças necessárias acontecerem.
Já houve um tempo em que se sabia que a esperança não era uma coisa lá tão benta assim. O mito grego da “Caixa de Pandora” (uma outra versão da maçã do pecado original cristão) conta que a curiosidade fez uma mulher abrir a caixa onde ficavam guardadas para nossa proteção todas as desgraças, permitindo a elas se espalharem pelo mundo. Aí, depois que o mal estava feito, quando por fim olharam dentro da caixa, adivinhem qual era o único diabinho que ainda restava ali? Bidu: a esperança, aguardando suspirante pela volta de tempos melhores, na mesma posição em que deve estar até hoje.
Mas afinal de contas, por que a esperança, sendo tão ruim assim, faz tanto sucesso? Porque responsabilizar-se pela própria vida dá preguiça, às vezes é chato, gasta tempo... Quem recebe esmola não trabalha; estamos sempre doidinhos querendo alguém para podermos encostar, e nos conformarmos com essa ilusão de movimento chamada inércia.
Então temos de ficar o tempo todo obsessivamente movimentando-nos para não cairmos nas armadilhas da esperança? Não, pois existe uma outra maneira de se estar quieto que é totalmente diferente dela, e muito mais interessante: a expectativa. Faz parte dela o “ativa”. É aquela ação feita por quem sabe que está realizando o que lhe cabe para que as coisas funcionem, e acompanha atento o tempo do trabalho dar frutos. A ação feita por quem, a cada dia, arranca o assassino louva-a-deus da esperança de dentro de si, e faz uma escolha pessoal e intransferível pelo movimento. Feita por quem veste a carapuça, bate no peito e diz: eu sou inteiramente responsável pelo modo como minha vida e o mundo estão hoje. E vai à luta para fazer a diferença.

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