entregar-se ao fluxo

Alan, um antigo amigo nosso, mudou-se recentemente aqui para Tiradentes, e está tocando, junto com sua companheira Patrícia, a simpática Pousada do Ó, no centro histórico de Tiradentes. Em uma de nossas conversas pra colocar o papo em dia, ele nos lembrou de uma história a respeito da época em que eu e minha esposa nos conhecemos.
Marisol estava dançando num forró itinerante em Ouro Preto, durante o festival de inverno de lá, em julho. Resolveu sair pra assistir um show na praça, mas pretendia voltar. Era Alan que estava na portaria (nesse tempo ele trabalhava como produtor de eventos), e ele disse que tudo bem, mas ela tinha de deixar sua carteira de identidade se quisesse voltar mais tarde. Marisol deixou o documento, e caiu na noite.
Depois que o show terminou, ela resolveu que a aventura já estava de bom tamanho, e decidiu ir embora para a república onde estava hospedada. Mas aí lembrou: “Xii... Minha carteira! Que saco, vou ter de voltar lá no forró!”Quando chegou na portaria, viu que a dança ainda estava animada no salão. Então pensou: “Ah, vou dançar só umazinha, pra compensar essa operação resgate de carteira, e aí vou embora. Deixa ver um que saiba dançar direitinho... Que tal aquele ali?”
Era eu. Foi como nos conhecemos, ano que vem faz nove anos que estamos casados. Por conta daquela carteira, nossas vidas mudaram totalmente. Podíamos nem mesmo ter nos conhecido - santa carteira! E isso me faz pensar: puxa, detalhes tão infinitesimais mudam tanto as trajetórias... Como é que a gente pode ter a pretensão de querer manter a vida sob controle? Não seria muito mais simples, com atenção e confiança, se entregar ao fluxo da existência e permitir alegremente que o milagre aconteça?

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